segunda-feira, 23 de junho de 2014

Isto não é uma crítica à MOL 2014

A marcha é, simbolicamente, o dia mais importante do ano para as pessoas LGBT* (e sim, é importante não esquecer que a relevância maior é a das nossas acções, vozes e pequenos gestos do dia-a-dia, das invisibilidades ou "tolerâncias" que temos porque temos pressa, porque não nos queremos chatear, porque fazemos de conta que são piadas, porque muitas vezes não conseguimos por razões várias falar, reagir, contestar). É desanimador ouvir e ler comentários depreciativos, especialmente quando vêm de pessoas que não desfilam, que não participam, que não sentem ter um dever em lá estar – nem me estou a referir exclusivamente às bichas cobardes (termo cunhado pelas fadas corajosas), mas também a pessoas que não entenderam ainda a relevância social e política de dar a cara contra discriminações e fobias - mas que estão prontas para tecer julgamentos sobre a ineficácia e fragmentação dos movimentos LGBT*.
A incompatibilidade de discursos e posições não é um problema. A marcha não tem que ser o evangélico momento de união das comunidades LGBT*. É bom que haja divergências, é bom que haja desentendimentos. É bom e expectável que haja movimentos hegemónicos, mais institucionais, mais conservadores, e outros contra-hegemónicos. E não me interpretem mal, é bom que haja críticas também - tudo isto reflete que somos mesmo muitas e diversas e que há pessoas atentas com capacidade de auto-reflexão e que também há pessoas que não se identificam com as causas (embora isto faça muita comichão, mas seria toda outra discussão). No meio disto vai havendo algumas coisas que custam a entender, como as Panteras Rosa, colectivo que faz parte da organização, terem incluído no seu discurso de fim de marcha críticas a opções da organização, nomeadamente à imagem da festa de encerramento da marcha e à própria festa em si. Ou como a ILGA, que estava inscrita para discursar no final da marcha, mas que decidiu, em cima da hora, não o fazer. As intervenções do final da marcha são importantes, são momentos-chave de visibilidade que traduzem em palavras o que nos faz marchar. 

(Parêntesis sobre a festa de encerramento)
É facto que €4 de entrada não é um preço inclusivo - não há muito que possa argumentar aqui, além da contribuição necessária para que a marcha melhore no próximo ano, para suportar os gastos que este ano houve. A festa acaba por não estar acessível a todas as pessoas e não é claramente a solução ideal. Ou seja, da próxima vez seguramente que se tentará fazer diferente.
É facto que o cartaz apresenta problemas, mesmo tentando transformar a opressão em inclusão, mesmo tentando ser uma ressignificação e perturbação dum símbolo colonial, patriótico, patriarcal e classista. Mas este cartaz é trabalho de uma pessoa que se voluntariou para contribuir para este momento simbólico! De uma pessoa que a troco de nada teve uma ideia e se dedicou a ela! E esta ideia foi acolhida e adoptada e elogiada. E nem sequer vou incluir desculpas como: não havia tempo para mais nem para diferente, não acho que sejam necessárias aqui e agora. 
Quer queiram, que não, a imagem é perturbadora, a vários níveis. Não é brilhante ter apenas duas mulheres e estas estarem lá como mães, segundo a ordem patriarcal - e sobre outras questões como as raciais e trans*, por exemplo, não me pronuncio pois não me sinto com legitimidade para o fazer e prefiro ouvir quem se possa manifestar por elas. E é problemático, bem o sabemos, o monumento a ser queerizado ser o padrão dos descobrimentos porque é colonialista, porque é salazarento, porque é patriótico, patriarcal, etc, etc, etc. Mas temos que pensar para fora das nossas nuvens (que é no que tentamos transformar as caixinhas em que querem que estejamos) LGBT*. Infelizmente muita gente interpreta a imagem como ofensiva, mas por motivos completamente diferentes dos que nós (e incluo-me sem falsas modéstias numa elite LGBT* crítica) vemos. Muita gente vê ali uma ofensa a Portugal, à "memória", à "história", muita gente vê ali um bando de doentes, um bando de macacos, um bando de malucos a destruir uma ideia de pátria, de nação, de património. E não é isto que move parte de nós: perturbar estas pessoas? Fazer estas pessoas pensar? Confrontar estas pessoas com diversidades e diferenças? Mostrar a estas pessoas que existimos e que estamos a reclamar os espaços delas, que queremos transformar os espaços delas, as ideias delas?
(fim de parêntesis)

Da participação na marcha.
De um lado ouvem-se as críticas às privilegiadas elitistas e autocentradas que, como dizem as bichas, e bem, vão à marcha de Madrid, mas aqui só saem no escuro porque não são “activistas". Do outro, apontam o dedo aos "extremismos" e "radicalismos" das esquerdas, a quem escolheu um slogan "demasiado político".
Sim, há conclusões a tirar sobre a falta de mobilização, sobre a diminuição de afluência. Mas se calhar, mais do que trocarmos culpas, devemos perceber o contexto repressivo que nos mostra, cada vez mais, que os medos estão instalados, vários: os medos de perder o emprego em quem o tem, os medos de não conseguir emprego, os medos dos desentendimentos familiares, ser expulsa de casa em subsistência precária é um risco eminente, viver num ambiente repressivo por não ter como subsistir é uma realidade para grande parte de nós. 
Assim se percebe que quem dê a cara sejam as mesmas pessoas, que são em grande medida pessoas privilegiadas, mesmo as que não tem emprego, como eu (e que por isso mudo de país brevemente; mas eu tenho a sorte de ser branca, física, mentalmente lida como funcional, de ter uma mãe que me consegue ainda ajudar a subsistir, de ter algum mérito pessoal que também é resultado destas últimas questões), mas sei que uma grande parte, senão a maior, das pessoas LGBT* está em sítios bem mais precários e com muito menos soluções, e com problemas urgentes: habitação, cuidados de saúde. Sei, e acredito que as pessoas que colaboraram na organização desta marcha também sabem, que há quem não esteja presente literalmente porque não pode. Porque os medos, os riscos são demasiados e há vidas, muitas, demasiadas (e mesmo que fossem poucas seriam demasiadas), em risco. E é nestas pessoas que temos que pensar quando estamos a marchar com orgulho. A marcha é uma manifestação de orgulho, um dia em que podemos festejar-nos em liberdade, mas é também e sempre, política e não pode deixar de o ser. E por isso o lema deste ano, e por isso o descontentamento com quem pode e tem o dever de lá estar e não está. E por isso as voltas no estômago quando oiço que a marcha devia ser uma festa inclusiva que agrade aos centros e às direitas, e não uma manifestação. Isso é viver na bolha da cegueira estrutural. É ignorar que as causas das opressões LGBT*, sexistas, racistas, de classe, etc, são as mesmas.

Esta sensação que os medos de dar a cara estão a crescer (contrariamente ao que se esperava há alguns anos atrás) é muito perigosa e só prova que temos, cada vez mais, que continuar a lutar. Que é importante reagirmos aos Marinhos Pintos e que a invisibilidade dos debates LGBT* (ou os falsos sinais de mudança, como a Conchita) são reflexo de mais prejuízo, de mais marginalização, de mais auto-repressão e auto-censura (e não de maior aceitação e “tolerância” como muitas pessoas afirmam). Que é preciso levarmos as nossas vozes a mais pessoas e mais longe (às crianças e jovens que nascem em contextos familiares em que, muitas vezes mesmo no centro de Lisboa, acham que têm filhas e filhos doentes), que é preciso ocuparmos espaço, que é preciso fazermos coisas, que é preciso, no fundo, estarmos investidxs em vontades de mudar, de transformar, de reinventar, que nos ajudem a estar no mundo como pessoas e com pessoas.

Portanto importa o colectivo, sim. Mas não o dos consensos ou ausência de críticas, antes o diversificado. O colectivo diversificado engloba mulheres, engloba todas as cores de pele, formato dos olhos, das orelhas, dos narizes e das barrigas, engloba todas a orientações afectivas e sexuais, engloba todas as orientações relacionais, engloba todas as identificações e representações de género. Fazer em função dele, falar em função dele – o que só acontece na e com a pluralidade. Quantas mais pessoas estiverem envolvidas e se fizerem ouvir em ocasiões como estas, mais representativas estas serão. E assim conseguimos ver, ouvir e conhecer sempre mais e melhor e também melhor pensar, decidir, fazer.

Helena Lopes Braga

Nota – este texto reflecte a opinião da autora, não pretendendo ser representativo do colectivo actiBIstas. 

Discurso das ACTIBISTAS na MOL 2014

Estou aqui em representação do colectivo pela visibilidade bissexual ACTIBISTAS que marca presença nesta marcha do orgulho lésbico, gay, bissexual e trans, porque nós, bissexuais, também existimos e viemos reclamar o nosso espaço!

A bissexualidade é tendencialmente e facilmente apagada das manifestações públicas de orgulho e/ou reivindicações LGBT*, em função do reconhecimento dicotómico de identidades gays e lésbicas versus hétero, que, quanto a nós, não faz qualquer sentido.
A bifobia é uma realidade que vivemos diariamente. Há quem nos invisibilize, diga que não existimos, que estamos confusas e confusos, que não sabemos o que queremos, que um dia saberemos o que somos e quem “realmente” amamos. Há quem diga que somos promíscuas e promíscuos, que não nos sabemos comprometer, ou que somos egoístas e insaciáveis.
Mas nós estamos aqui para dizer que a nossa identidade não é sinónimo de confusão. Que podemos ser promíscuas ou promíscuos se quisermos e não o ser, se não quisermos. Que não estamos confusas ou confusos por gostarmos de homens e mulheres, ou até por não ligarmos ao género. Que as nossas escolhas são tão válidas e honestas quanto as de qualquer gay e lésbica e hétero. Que o que conta é como estamos com as pessoas e como construímos as nossas relações e não o conteúdo ou forma destas relações!

Em 1970, para assinalar o 1º aniversário dos motins de Stonewall, uma das principais responsáveis pela organização do primeiro Pride, ou marcha do orgulho, foi uma mulher bissexual chamada Brenda Howard (1946-2005) - as pessoas bissexuais estão presentes na história dos movimentos LGBT desde o começo, e todos os dias, não podendo continuar a ser invisibilizadas. Queremos visibilidade, direitos iguais, respeito e liberdade, e não nos satisfaremos com menos do que isso!

Podem assistir ao vídeo aqui.

terça-feira, 9 de julho de 2013

231 da Bela Flor

No passado 27 de junho, dia de Greve Geral, 231 pessoas foram constituídas arguidas pelo Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, sob notificação da PSP por alegadamente terem incorrido nos crimes de manifestação ilegal e atentado à segurança rodoviária, quando espontaneamente se manifestaram por Lisboa após a concentração em São Bento.

Como cidadãs actiBIstas estivemos lá e encontramo-nos agora arguidas num processo político totózinho. Deixamo-vos aqui o relato de uma bicha amiga, que não se quis identificar, e que confirma os factos já descritos em algumas notícias:

Estas pessoas seguiram pelas ruas em manifestação, com a PSP a encabeçar este protesto e a cortar o trânsito à medida que se avançava. Sem nunca lhes ter comunicado que deveriam terminar, ou que estariam a cometer alguma ilegalidade, a PSP transportou os manifestantes para “um beco sem saída”. Perto do Viaduto Duarte Pacheco, cercou-os e identificou-os (226 manifestantes!!!)  um a um, num processo que durou horas, impossibilitando os manifestantes de se deslocarem, terem acesso a alimentos, água, casas-de-banho, etc. 

(Neste video vê-se a manifestação pacífica a prosseguir encabeçada pela polícia).

E foi com surpresa e uma enorme repulsa que constatámos que fomos todxs alvos de um processo político de manipulação que teve por objetivo a intimidação e supressão do direito à manifestação. Se não, atentemos no procedimento da polícia e na deturpação mediática dos eventos de dia 27.

Esta manifestação foi sempre encabeçada pela polícia que cortava o trânsito à frente dxs manifestantes, dirigindo-os para fora de Lisboa. Por entre nós, a presença de agentes à paisana foi sempre uma constante e em momento algum, até à formação da caixa policial pelo corpo de intervenção, fomos advertidos ou impedidos de prosseguir marcha. 

Nesta imagem, por exemplo, verificamos a escolta e o corte de trânsito prévio à chegada dos manifestantes:




Perto do Viaduto Duarte Pacheco, num troço de estrada sem visibilidade nenhuma para fora e dentro, fomos cercadxs pela polícia de choque num aparato que envolveu mais de 10 carrinhas policiais que já estavam à nossa espera. Qualquer tentativa de abandonar o cerco, a fugir ou dialogar, foi impedida com ofensas físicas e verbais por parte da polícia, sem nunca nos ter sido informado o porquê de tal acontecer. Fomos mantidxs em cerco numa tentativa clara de gerar animosidades e dar pretexto à polícia para intervir com maior violência, o que não aconteceu dado o carácter pacífico da manifestação. Deste modo, fomos conduzidxs às traseiras de um prédio no bairro da Bela Flor onde já nos aguardava toda uma maquinaria burocrática pronta para nos identificar, revistar e notificar da constituição de arguidxs: um sem número de polícias de choque, inspetores, revisores, aos quais se juntaram mais tarde secretárias com pilhas de impressos e um gerador para alimentar o candeeiro que havia de alumiar este longo processo de 7 horas.

 A atuação da polícia teve o intuito de intimidar, despoletar ofensas à ordem pública e é reveladora do carácter pré-fabricado desta detenção. A escolta dxs manifestantes, o encaixotamento, a revista, a ausência de explicações e as condições a que nos submeteram durante todo o dia e noite foram estratégias para instigar desacatos e encontrar potenciais provas incriminatórias quando elas nunca existiram.  

Para que esta manipulação funcionasse, as autoridades tiveram o contributo de algumas estações televisivas e tablóides que se aprontaram a diabolizar os manifestantes. Apesar de não terem sido encontradas armas ou efetuadas detenções individuais durante a revista na Bela Flor, surgiram falsas notícias a citar fontes policiais anónimas referindo-se ao uso de armas e cocktails molotov por parte dxs manifestantes, bem como títulos sensacionalistas como a pretensão de corte da Ponte 25 de Abril.  Ora, nós estávamos a  muitos quilómetros da Ponte, com escolta policial e numa marcha espontânea e pacífica, sempre.

Após o ajuntamento de dia 6 no Tribunal, tivemos acesso ao auto da detenção que nos notifica dos crimes de  incorrência em manifestação ilegal e atentado à segurança rodoviária. Voltamos a referir que fomos escoltadxs pela polícia durante todo o dia numa manifestação pacífica pelo que o crime de atentado à segurança rodoviária serve, neste caso, como argumento legal para retirar a proteção constitucional ao nosso acto de manifestação espontânea pacífica (não é necessário aviso prévio para uma manifestação deste carácter). 

Leia-se o seguinte excerto do “Direito de Manifestação”, por Maria Lídia de Oliveira Ramos, para se compreender o que acabámos de referir:

2.5 – sujeitos do Direito de Manifestação e Limites dentro dos quais o seu exercício se deverá manter.

De acordo com o art.º 45, 2, da Constituição, «a todos os cidadãos é reconhecido o Direito de Manifestação» (...) A liberdade que a todos se reconhece, é porém, única e exclusivamente, a de se manifestarem «pacificamente e sem armas», pelo que cessará logo que ou o indivíduo ou a manifestação perca o seu carácter pacífico. No que respeita ao «carácter pacífico», embora se trate de um conceito indeterminado, cremos que commumente se poderá apelidar de pacífica aquela manifestação que congregue um conjunto de pessoas, visando exprimir uma opinião, sentimento ou protesto sentidos em uníssono, através da presença e/ou palavra. Neste aspecto, referimo-nos, portanto, à manifestação na sua acepção «natural» que pressupõe a observância da lei e da moral, o respeito pelos direitos das pessoas singulares ou colectivas e a não perturbação da ordem e tranquilidade públicas, dessa forma, se a manifestação assumir um carácter violento ou tumultuoso não será classificada como «pacífica» e perderá, assim, a protecção constitucional. Saliente-se, porém, que tal violência deverá brotar da maioria ou globalidade dos respectivos participantes, pelo que a sua constitucionalidade será aferida pelo carácter não excepcional dos actos lesivos da esfera jurídica de terceiros.

Ao diabolizar e deturpar os factos, as autoridades encontram pretexto legal para a detenção e julgamento de 231 manifestantes pacíficos, auxiliadas pelos media e pelo desconhecimento geral da população sobre a própria Constituição que nos rege e protege (para mais informações sobre o Direito de manifestação e aviso prévio consultem este link).

Todo este episódio é um grave atentado à liberdade e cidadania e sintoma da conjuntura austera e anti democrática camuflada que vivemos atualmente. Estes acontecimentos fazem parte de um rol de estratégias pidescas que têm vindo sucessivamente a perseguir e intimidar todxs os que se insurgem contra o Governo e o estado deplorável a que chegou a nossa Política. Solidarizar-se com este movimento, partilhar esta informação é necessário para que atropelos aos Direitos Humanos, como este, não saiam impunes nem tenham rédea solta em Portugal – façamo-lhes afronta!

“Como posso ajudar xs actiBIstas e demais manifestantes?”

Se tiveres fotos ou outros materiais que comprovem a veracidade dos factos aqui descritos fá-lo-nos chegar, por favor – se te puderes constituir enquanto testemunha abonatória no processo avisa-nos também, pois se presenciaste os factos és uma valiosa ajuda face às falsas testemunhas policiais de acusação;

Divulgar, partilhar, informar, esclarecer, muito muito ;) Precisamos contrariar a desinformação passada pelos media e contar a verdade dos factos. Para isso podes partilhar este post, mas se preferires algo mais chique então convidamos-te a divulgar este vídeo do canal Q “Manipulação de Coentrada” http://videos.sapo.pt/ZDTZA1DEPO1NVD8YL8gE ;

Escrever axs deputadxs, deixar comentários nas páginas de facebook, enviar emails a apelar ao arquivamento deste processo sem fundamento. Podes contactar xs deputadxs através do site do governo: http://www.portugal.gov.pt/pt/contacto.aspx ;

     - Juntares-te à concentração  marcada para o dia do julgamento destes 231 companheirxs – 12 de Julho pelas 9h30 no Campus de Justiça de Lisboa https://www.facebook.com/events/185187651642060/?fref=ts para dares voz ao teu descontentamento e ajuda aos manifestantes acusados. Podes trazer panfletos, instrumentos musicais, aderir a um protesto silencioso, tu escolhes, mas vem, fica connosco,  o teu apoio é importante e aquece-nos os corações ;)

Bijinhas*
birrita

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Xs BIS vão andar por aís!

Xs Bis vão à manif de amanhã porque:

1) é preciso dar visiBIlidade às lutas sociais
2) a crise afecta todxs
3) é o sistema capitalista patriarcal, que impõe modos de vida hétero-mono-cis-normativos, que castra a comunidade lgbtqpi. É o biopoder daí resultante a causa da nossa estigmatização, descriminação, invisibilização. 
4) uma crise nunca é só política, nunca é só económica, é sempre estrutural. As condições sociais actuais em Portugal levam a que pessoas de comunidades estigmatizadas sejam as primeiras a viver em precariedade. Dificuldades em arranjar emprego, despedimentos sem justa causa, recibos verdes, escravidão laboral,... A violência simbólica exercida sob as comunidades queer aumenta exponencialmente em tempos ditos de crise. Queremos sentir-nos bem nas comunidades em que vivemos, sentir-nos integradxs, com os mesmos direitos que xs outrxs... 
5) esta é uma manifestação internacional. Estamos solidárixs com xs turcxs, brasileirxs, gregxs, francesxs, palestinianxs e israelistxs, indonésixs, e de todas as nacionalidades dos mundos.

Estes e muitos mais motivos apelam à nossa participação!
Amanhã, a partir das 15 horas, no Rossio. Vamos a São Bento. 
Se te quiseres juntar a nós, procura a bandeira BI! ;)



H
Ps- Já gostas da Bibi no facebook?  

terça-feira, 25 de junho de 2013

Xs bis andam aís

No passado sábado estivemos presentes na 14ª Marcha do Orgulho LGBT pela primeira vez enquanto actiBIstxs orgulhosxs e o balanço que fizemos foi muito positivo, no que se refere à simpatia e adesão a este projeto ;) 

Os trabalhos para o lançamento do coletivo iniciaram-se cerca de duas semanas antes, alimentados pela vontade e determinação em acabar com a invisiBIlidade gritante a que as pessoas bissexuais são votadas em Portugal. Apesar da crescente sensibilização para as questões da orientação sexual e identidade de género, as problemáticas ligadas à bissexualidade permanecem diluídas e silenciadas na conveniência do chapéu LGBTQ.

Não existe, atualmente, nenhuma entidade que se dedique exclusiva ou demarcadamente ao debate destas questões, promovendo algum tipo de suporte dirigido às pessoas bissexuais. Embora todas as associações envolvidas na luta pela Igualdade e Diversidade comunguem do B em LGBT, não existem eventos, projetos, campanhas, brochuras, dedicadas às pessoas bissexuais, sendo estas identidades afuniladas em função da suposta maioria LG. Na Academia verifica-se o mesmo, sendo xs sujeitxs bissexuais frequentemente tratadxs estatisticamente no mesmo grupo que lésbicas e gays, comprometendo uma visibilidade que é necessária.

Frequentemente justifica-se este apagamento com a fragmentação e enfraquecimento da luta-em-caixinhas. Mas até quem usa este argumento evoca a sigla LGBT e participa em variadas batalhas ao lado de gente diversa. Como é que se pode defender a solidariedade e o feminismo, compreender a necessidade de dar visibilidade a subgrupos desprotegidos/invisíveis, como as pessoas T, e simultaneamente rejeitar voz própria a outro coletivo? 

É a pluralidade que nos une, a empatia e a construção de pontes sem que haja supressão, apagamento, diluição.

As pessoas bissexuais são alvo da mesma discriminação que afeta lésbicas e gays, mas também estão sujeitas a outras formas específicas de preconceito que, se desconstruídas, só podem significar uma melhor sociedade para todxs. Reconhecer que existem pessoas que se sentem atraídas física/espiritualmente por homens, mulheres, transgénerxs, agénerxs – humanxs – é reconhecer que as relações e os afetos são universais e que não existem prescrições a agrilhoá-los. É defender que qualquer pessoa está livre para viver as suas relações como e quando quiser e construir a sua identidade e vida como lhe aprouver.

Nesta marcha distribuímos panfletos alusivos às principais formas de discriminação a que as pessoas bissexuais estão sujeitas: heterossexuais discriminam-nos em função de papeis de vida tradicionais, homossexuais, de igual modo, rejeitam-nos com base em prescrições plasmadas da normatividade que tanto criticam, as associações votam-nos ao esquecimento ou afunilamento em nome de uma estratégia que padeceria se aliada à nossa causa “incómoda”. 

Mas não existem posições estratégicas em matéria de Direitos Humanos e xs actiBIstas sabem-no. Façamo-los, então, ver e moBIlizemo-nos! 

birrita


Segue-nos no nosso facebook e fica a par das iniciativas e eventos onde te podes juntar a nós. A todxs xs interessadx podemos também disponibilizar panfletos para distribuição, toda a ajuda será muito bem vinda ;)

xs actiBIstas gostariam de deixar um agradecimento especial à Ana, ao Zé e ao Marcos pelos valiosos contributos e toda a ajuda que dedicaram a este projeto.
                      

sábado, 22 de junho de 2013

actiBIstas - coletivo pela visibilidade bissexual

Este coletivo nasceu da necessidade de combater a invisibilidade bissexual com que constantemente nos deparamos, seja no mundo hétero-cis-normativo, seja entre as próprias comunidades LGBT. Ainda persistem muitos preconceitos relativos à bissexualidade que, aliados à genderização patriarcal e normativa, se traduzem em processos de invisibilidade e discriminação das pessoas bissexuais.

A invisibilidade e o apagamento das questões sobre a bisexualidade são particularmente prejudiciais quando se manifestam no seio das associações e organizações LGBT, muitas vezes os únicos focos de suporte social para as pessoas não heterossexuais/cisgénero.

Não podemos, pois, deixar que o afunilamento e a castração das nossas identidades se constituam como boas-práticas associativas. Não hesitamos em denunciar atitudes bifóbicas e depor agentes de invisiBIlidade.

Assumimos vivências queer plenas e lançamos o apelo a bissexuais, assexuais, pansexuais, poliamorosxs, transgénerxs e todxs xs genderbenders do mundo para que se juntem a nós.

Queremos mais visiBIlidade e mais combate à bifobia, queremos mais iniciativas, ações e eventos destinados às pessoas bissexuais, queremos mais inclusão sem diluição.

Propomos um espaço de debate, de agremiação social, mas também um pólo de luta e resistência contra a hétero e homonormatividade – o contributo de toda a gente é muito bem vindo! Colaborem connosco, tornem-se actiBIstas!